Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de 2013

Lua

Na noite escura Só a luz da Lua E um cachorro que uiva Um resto de lobo Que havia dentro de si

Crise e Oportunidade II - a ampulheta da Terra

Crise climática Há pouco mais de um ano escrevi um texto intitulado " Crise e Oportunidade - a história e o futuro da humanidade ". Tive vontade de relê-lo por ocasião do tufão Haiyan, que atingiu recentemente as Filipinas com o recorde de maior furacão do planeta (até agora). Naquela época o Japão havia sido atingido pelo terremoto que causou o acidente em Fukushima e os americanos estavam exultantes. Fukushima está vazando até hoje e parece que a natureza não está muito preocupada com nacionalidades - tem até urso polar começando a perder pelo. A temporada de furações nos EUA fez a tempestade chegar à Estátua da Liberdade. O inverno passado não quis passar na Europa, provocando nevascas em plena primavera. No Brasil, um inverno ameno, regado a chuvas primaveris e agora uma primavera de tempestades dignas de janeiro ou março alagando um Estado inteiro e deixando milhares de desabrigados por uma vasta região do país. Chegou a nevar no Cairo, Israel ficou fechada por...

Fantasias e teimosias

Falemos de privacidade, de ilusões e negações, nostalgias, utopias e alienações.  Falemos de 1984, de Orwell e de Deleuze, degradações, hospícios e prisões.  Falemos de pobreza, de safadeza,  De massacres, exorcismos, condenações. Falemos de tecnologia, Celular com filmadora, conexão 3G, Youtube, Twitter e Facebook. Obama, Sarney ou Putin. Cartão de crédito, conta de luz e RG. - Sorria, estão filmando você! Seu passaporte, seu currículo, suas compras na padaria... Privacidade, mera utopia. "Que canal você assite? A que horas você dorme? Por que ainda resiste? Sua alma é nosso mote. Vamos cuidar de você, assegurar o seu futuro. Plante flores. Coma grilos! ...e deixe o resto comigo. Você precisa de um líder, pode deixar que eu te guio." Então falemos de privacidade, de rastros, de gato e rato. Falemos de terrorismo, de violência, risco e perigo. Falemos de lendas urbanas, Lobisomens estupradores, v...

Mudando o mundo

Nós somos os 99 por cento A crise que assola o mundo hoje permeia praticamente todos os campos de atuação do ser humano. A ciência já explicou tanto, mas falhou tantas outras vezes. A religião sempre pareceu um porto seguro, hoje parece cheia de imposições anacrônicas. A escola, pobrezinha, mais perdida que cego em tiroteio, luta para não ser esmagada entre o celular e a wikipédia. A saúde não se decide entre a ciência e a religião, deixando-se a olhos vistos tender ora para o lobby de um, ora para o do outro. O Estado é outro que anda refém, às vezes de si mesmo, dos grilhões de seus antigos coronéis e seus contratos  vitalícios, às vezes da mídia, que se auto-proclamou opinião pública, fazendo do povo gato e sapato da propaganda e às vezes, ainda, do mercado, que mais do que todos os outros, tem os meios para o poder volátil, mas extremamente convincente, de fazer todos os outros problemas parecerem flores num passe de mágica. No meio de tanta disputa pelo poder estão as vid...

Dicotômicos e anacrônicos

A tábula rasa Jonh Locke, pensador inglês de meados do séc. XVII, acreditava que o ser humano nascia como uma folha em branco a partir da qual a absorção passiva da cultura escreveria as linhas de comportamento de cada indivíduo. Nasceríamos essencialmente bons e seríamos, gradualmente, transformados no humano moral capaz de decidir entre o bem e o mal. A corrupção do homem ocorreria então através da educação e da convivência. De acordo com a sua lógica, uma educação ideal seria capaz de gerar indivíduos bons, muito embora aparentemente não tenhamos sido capaz de inventar tal método e erradicar a maldade do planeta até hoje. Muito suspeito isso... A questão de Locke não leva em conta um ponto fundamental que só foi considerado tempos depois: os efeitos de uma ação dependem de uma reação voluntária de quem a sofre. É exatamente neste ponto que percebemos que Locke não considerou as peculiaridades individuais. Um mesmo evento pode ser interpretado de várias maneiras, conform...