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Crise e oportunidade - a história e o futuro da humanidade



Humanos e a Natureza


Me lembro de muitos americanos dizendo que o que aconteceu com o Japão na última tsunami, aquela da usina nuclear, foi Deus devolvendo o que eles haviam feito em Pearl Habor. Sério, muitos americanos desejaram mal e maldisseram os japoneses depois da tragédia em diversos fóruns internacionais, facebook, twitter, etc. Vários americanos acharam merecida a tragédia. Logo eles, que vivem em um país cujo clima não é nada ameno... Logo eles, que há pouco haviam passado pelo Katrina, que estão assentados sobre a falha de San Andreas, que tem o Yellowstone, que tem inverno rigoroso...

Acontece que a natureza não se importa com nossas pequenas megalomanias. Ela não está nem aí para qual deus você reza ou em quantas ogivas nucleares você está sentado. Se nós todos não começarmos a cuidar melhor do nosso Éden-Terra as catástrofes naturais se tornarão mais e mais frequentes e elas não escolhem exatamente cor ou credo, elas simplesmente dizimam populações inteiras sem dó nem piedade. A gripe suína foi um bom exemplo de como NÃO estamos preparados para uma pandemia. Então, para que tanto bafafá acerca de métodos de controle populacional? 7 bilhões já não dá uma guerra épica o bastante não? Qual é a intenção dos conservadores, destruir o sistema solar?

A natureza não se importa com nosso blá-blá-blá, apenas com nossas ações. E ela não se importa também com nossas fronteiras políticas. O planeta é um só e todos nós somos afetados juntos pela estupidez egocêntrica e gananciosa de alguns. Está na hora de sermos mais humildes, assumirmos que nossas escolhas não tem nos levado a bom termo e mudarmos. Não se trata de achar culpados, ou de desejar um mundo melhor. Se trata de construir, cada um com sua mão, um mundo melhor. Está na hora de deixarmos de esperar pela salvação para salvarmos a nós mesmos nesta vida aqui, neste planeta.

A natureza incontrolável e os deuses inventados

Tomemos por princípio que o Deus abraâmico tenha realmente nos criado para cuidarmos do jardim d'Ele. Independente do que tenha de fato acontecido depois disso, não poderia ser que essa nossa constante desobediência do mandamento original seja o cerne de tudo aquilo que está destruindo a nós e ao nosso jardim? Certa vez li que um político americano havia anunciado que ecologia é bobagem, pois Jesus já está voltando. ( O.O ) Jesus já está voltando... Há pelo menos 2000 anos que ele já está voltando.

Seguindo a lógica da criatividade, algumas correntes afirmam até que Jesus já voltou e instaurou o paraíso por volta de 1500 em uma região que ficou conhecida como Novo Mundo, mas nós insistimos em cronicamente destruí-lo outra vez. Depois nos deu outra chance, no Novíssimo Mundo da Oceania, em 1770 e nós o enchemos de ratos também. Paciente, Jesus ainda nos deu algumas chances, mas quando estourou a primeira guerra ele se cansou e foi embora, procurar espécies menos estúpidas em outra galáxia bem distante da nossa.

Mas e se o erro, ou má-fé original, tivesse sido a do primeiro sujeito que guiando a tribo em busca de um novo pasto, se perdeu e dando com o deserto, não quis dar o braço a torcer. Para convencer a tribo de que não havia volta, inventou toda essa estória de ter sido expulso da floresta-paraíso e condenado a uma vida de trabalho árduo diante da escassez do deserto para alcançar a redenção e o paraíso lá do outro lado, se chegarem um dia... Só imaginem... Vindo de um povo cujo primeiro descendente já matou o segundo por inveja e ciúmes, por que não?


A realidade natural

Independente de qual seja a verdade, ou a bobagem em que se queira crer, o ponto é que estamos em crise. Crise econômica. Crise produtiva. Crise climática. Crise populacional. Crise de combustível. Crise política. Crise de valores. Crise de personalidade. Enfim, tem algo que não esteja de alguma forma ruindo no mundo de cimento e deuses que construímos para afastar a natureza de nós? Aqueles japoneses, que se organizaram tão civilizadamente durante e após a tsunami, acostumados que estão a conviver com a natureza e seu poder incontrolável, consideram as crises oportunidades de mudança e reconstrução. Talvez tudo isso nos sirva de incentivo para aproveitar tal oportunidade.


Um globo global

Começando pela América do Norte, vamos passear um pouco pela realidade dos fatos no mundo hoje. No segundo debate Obama / Romney os americanos se mostraram preocupados com o alto preço do combustível, demonstrando um claro desejo por combustível mais barato. Obama quer manter os derivados do petróleo caros, e investir em fontes renováveis de energia, energia heólica, solar, máquinas mais eficientes e políticas de redução do desperdício. Romney quer mais petróleo e encrenca com o Irã. Não vou nem comentar sobre sua crise economica interna, seu consumismo assustador, o desemprego, a saúde decadente e cara... Aproveitaremos a crise? Ou vocês ACREDITAM mesmo que o Sandy foi a pior coisa que poderia tê-los acontecido?!

A Europa igualmente enfrenta uma desestruturação profunda de sua organização interna. De certa forma o barco europeu está afundando e ninguém consegue concordar se é melhor pular fora ou afundar com o barco, dado o dilema moral milenar que tais atitudes encerram para eles. Estudando sua história já é possível prever o retorno de sentimentos nacionalistas, como sempre foi. O Papa já ate andou dizendo sobre o "direito de não emigrar"! Fiquem em suas terras, estamos com problemas, não queremos imigrantes! Esta é a conduta Romney da Europa, a conduta de sempre. Não se fechem, é só mais uma crise como tantas que sempre teremos... Continuem sempre o centro cultural do mundo, produzindo grandes idéias, guardando e ensinando a história da humanidade, como só vocês sabem fazer. Lembrem-se que as mudanças sempre trazem benefícios depois que se assentam. Abram-se para o mundo novo que vocês mesmos "descobriram", é inevitável...

A Ásia é uma balbúrdia. Me desculpem. Um terço da população mundial se aglomera em um vasto território pouquíssimo habitável. Uma insanidade. Depois que a China comunista abriu as pernas para o consumismo americano nem as castas indianas resistiram à pressão ocidentalizante da felicidade custe o que custar. A miséria, a ausência de direitos básicos, os governos autoritários, o histórico dos últimos séculos... O oriente ficou muito tempo culturalmente intacto, mas agora seus hábitos ocidentalizados ameaçam até mesmo o que havia de mais certo e fundamental para a vida na Ásia: as monções e o frágil equilíbrio ecológico e econômico que delas advém. Estamos todos no mesmo barco e chegou em um ponto tal que ou se salvam todos, ou não se salvará ninguém.

A América Latina, tradicionalmente agrícola e um tanto menos devastada e mais beneficiada por sua geografia, pena menos com as mudanças hoje, mas mesmo que seja sempre assim, adivinhem para onde virão os que ficarão sem terra produtiva depois que o clima desandar de vez? Hoje vemos alguns governos aqui e ali com grandes inovações como no Chile, Uruguai... E outros altamente reacionários, como Cuba e seu Fidel-zumbi, ou mesmo a Venezuela, se continuar tão centralizada assim sobre a pessoa do Chaves. Mesmo a bancada ruralista do Brasil anda cada vez menos poderosa, perdendo pontos importantes do Código Florestal para o bom senso e a preocupação com o meio ambiente e o futuro do país. Mas nem tudo são flores e nossa infantilidade histórica ainda nos deixa muito à mercê dos peixes grandes do mar aberto.

A Oceania é um local curioso do nosso planeta. Sua população espalhada entre incontáveis ilhas e a imensa Austrália, é culturalmente riquíssima. Assim como sua ecologia, essa pluralidade é no entanto frágil. A própria geografia do continente o torna um alvo fácil para as alterações climáticas e sua baixa densidade demográfica os deixa de mãos atadas caso o resto do planeta decida que o melhor mesmo é insistir no erro e continuarmos agindo como gafanhotos na esperança de que um novo pasto miraculosamente apareça quando este acabar. De todos os continentes, o mais diversificado e belo é também o mais impotente e mais frágil diante da ganância e a estupidez humanas.

Por fim chegamos à África, onde, na verdade, tudo começou. O berço da humanidade é também o local mais destroçado por esta. Convenhamos, o trabalho que fizemos (e fazemos!) na África é de dar orgulho ao diabo! Um continente inteiro empobrecido, revesando entre pestes, fomes, guerras e muita exploração. Uma maravilha o que fizemos ao nosso primeiro jardim. E não há alma que se responsabilize por ir até lá resolver o problema. Na verdade a África e seu apêndice ultra infeccionado, a Ásia Menor, são uma espécie de área de relaxamento para as grandes frustrações da humanidade. É para lá que vamos quando queremos fazer tudo dar errado. As piores decisões da humanidade foram tomadas ali e aquelas pessoas pagam por isso até hoje. E vão pagar até que tenhamos deixado de ser macacos.


Conclusões

Soa até um tanto radical, mas o fato é que a África não pode e não poderá tão cedo ser responsabilizada pelo que a humanidade fez a ela. Ela não poderá mudar sozinha, tamanho o estrago continuo a que a submetemos, e também não parece haver grande disposição para ajudá-la ainda. Por sorte a vida na África não é tão frágil quanto nas Américas e Oceania e se tudo o mais der errado, é muito provável que os últimos sobreviventes da catástrofe humana sejam encontrados lá e voltem e povoar a terra, graças à exploração e ao estado primitivo no qual mantemos voluntariamente os habitantes daquele continente. Talvez seja até mesmo um recurso sócio-evolutivo da própria natureza manter sempre essa diversidade de opções, pois aparentemente, nunca é demais se prevenir quando se trata de seres humanos e sua capacidade para desobedecer seus instintos mais básicos e tomar decisões ruins.

Apresento então a pergunta que não quer calar: será que a consciência humana, aquela coisa que costumamos superestimar sobre todas as demais criaturas do planeta, será capaz de se opor à nossa própria macaquice e nos fazer chegar a uma relação mais equilibrada com o único lar que efetivamente temos? Ou seremos novamente assolados pela peste e dizimados até que o equilíbrio retorne e tenhamos que começar tudo outra vez? Independente da decisão que tomemos a Terra continuará aqui e a vida continuará na Terra. Resta saber se nós estaremos incluídos nessa história ou se seremos apenas mais um conjunto de fósseis curiosos para a próxima inteligência que aparecer por aqui depois de nós.

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