Essa nova onda de censuras e tentativas de censura que inundou o cenário brasileiro nos últimos tempos tem me deixado preocupada. Chegaram ontem a prender o diretor da Google no Brasil e entrar com uma representação contra a exibição do filme TED por aqui. Uns meses antes teve um caso em Piracicaba proibindo sacrifícios de animais em ritos de Umbanda. Então foi uma fan page de Praia Mole que saiu do ar por falar de um candidato. Daí para a frente os candidatos e políticos estão se achando, pedindo retirada de tudo quando é denuncia sobre eles do youtube. Então veio o vídeo anti-islâmico que também está para ser vetado. O facebook está igualmente sofrendo intervenções a todo momento. Isto para não falar do Marco Regulatório da Mídia, que só de pensar tenho calafrios terríveis!
Para os defensores das idéias acima, até aqui não há nada demais. Mas então vem o lado escuro da força, o seu lado "bonito e sedutor". Começa com alguns protestos aqui e ali em prol de causas "boas" como o combate ao racismo censurando Monteiro Lobato; à exploração da mulher censurando propagandas e sites "machistas"; ao estupro com Rafinha Bastos sendo processado por uma piada extremamente sem graça como a maioria de todas as piadas dele ou a prudence removendo sua propaganda de camisinha. Estas censuras acima foram aclamadas como vitórias pelos humanistas de plantão. Entretanto, elas corroboraram para os acontecimentos de ontem. A censura, não importa a causa nobre que a justifica, nunca será positiva, pois há um detalhezinho de nada na lei que se chama PRECEDENTE. É o bom e velho se você pode eu também posso.
Agora eu te pergunto, leitor, nossos representantes políticos são assim tão confiáveis que queremos que eles escolham por nós o que devemos ou não saber? Apesar de você concordar com uma ou outra censura, você quer mesmo arriscar-se a abrir precedente para algo tão grande quanto o cerceamento da sua liberdade de acesso à informação? Alguns até podem dizer que é preciso fazer algo com relação ao excesso de conteúdo falso no meio das informações verdadeiras. Mas eu te pergunto, QUEM vai decidir por TODOS nós? Você tem certeza que precisamos de alguém para isso? Ensinar nossos filhos (e a nós mesmos) como sobreviver neste novo mundo, como filtrar bem as informações, como ler e ser crítico com o conteúdo, comparar, questionar não é muito mais interessante do que nos sujeitarmos a mais uma instância controladora?
Pense bem. Não importa qual é sua orientação filosófica, não há ninguém no mundo mais indicado para transmiti-la a seus descendentes do que você mesmo. Pode até ser que você também ache que o filme TED, com seu ursinho de pelúcia maconheiro não seja um bom filme para seu filho de 11 anos (a indicação do filme é 16+). O que diz o bom senso? Que você, como o deputado Protógenes, deve pedir que o Estado proíba TODOS os brasileiros de ver o filme nos cinemas, ou deve orientar seu filho, com paciência e amor, sobre os valores que você considera corretos, promovendo com ele um debate construtivo acerca da ética e da diversidade de opiniões que há no mundo?
E se você não é pai, mas é seu próprio responsável, o que dizer então? Você é negro, gay, pobre, mulher, tem o pinto pequeno, etc. e não gostou da piada, não ria, conte outra que ache engraçada, saia da cena, manifeste-se pacificamente, ignore. Mas processar? Proibir? Por quê? Então calhamaços de filosofias nazistas caem sobre minha cabeça! As benditas categorias estão destruindo a noção total de ser humano. Não há mais humanos, há tipos. Cada um se faz de vítima como pode. Mas para que ser vítima? Para que ser agressor? Por que não somos todos apenas pessoas, humanos? Sabe quando esse exagero do sentimento de classe apareceu na história pela última vez? Pouco antes da segunda grande guerra... shh...
Só há uma categoria com a qual deveríamos nos identificar: terráqueos. Uuhh! Psicodélico! Deve ser mesmo. Imaginem só, nós, habitantes da Terra! Ridículo, simplesmente ridículo! Melhor "coroa da criação" ou qualquer outro nome igualmente idiota que defina apenas uma pequena parte da população que ainda discorda entre si sobre tal definição. Leitores, terráqueos, vamos estudar história, vamos enfiar a cabeça na filosofia... Precisamos repensar nosso caminho, pois do jeito que as coisas tem andado, me parece que estamos voltando ao velho ponto de onde partimos: precisamos mesmo de alguém que mande em nós? Ainda não chegamos a nos tornar os Homens Superiores de Nietzsche que farão nascer o Super-Homem?
A tecnologia avança neste sentido a passos muito largos, mas sem evoluirmos eticamente, muito provavelmente o que encontraremos na próxima curva do caminho não será a aurora de uma nova humanidade, mas simplesmente mais uma arma de aniquilação em massa e muito sangue, fome e peste para fazer o controle dessa nossa superpopulação desregrada de 7 bilhões e contando. Povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la. Vamos queimar fosfato?

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