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Mostrando postagens de agosto, 2012

Crianças do novo milênio - uma experiência pessoal

Por que os adultos têm medo de expor suas crianças à tecnologia? Estamos diante da primeira geração de pais que cresceram jogando video games. E eles jogam até hoje. Hoje meu marido disse à minha filha de 4 anos que estava tendo problemas jogando Rayman: "Eu nunca pedi ao meu pai ajuda para matar um chefão, eu tinha que fazer isto sozinho!" E os jogos não eram mais fáceis naquela época. Nós fomos a primeira geração a aprender com video games e computadores. (Já escrevi aqui sobre isto.) E agora, nós estamos tendo filhos e eles estão crescendo com eletrônicos por toda parte. Exceto na escola. Lá eles encontram papéis, tintas, lápis, borrachas... Curiosidades, coisas engraçadas, só isso. O problema é que isso dura 12 anos no mínimo! E o que você aprende lá sobre a vida prática? Não o bastante, com certeza. Minha filha de 4 anos reconhece todas as letras do alfabeto e várias marcas desde os 2 anos de idade. Alguns meses atrás ela teve um "clique" so...

Kids from the new millenium - a personal experience

Why are the grown ups afraid of expose their kids to technology? We are facing the first generation of parents who grew up playing video games. And they do play until now. Today my husband said to my 4 years old daughter who was playing Rayman having a bad time with the boss: "I never asked my dad for help to kill a boss, I had to do it by myself!" And the games weren't any easier. We are the first generation who learned from the video games and computers. (I already wrote about it here.) And now, we are having kids and they are growing up with eletronics all around too. But not at school. There they find papers, paints, pencils, glues, rubbers... Curious stuff, funny, that's all. But it lasts for at least 12 years! And what do you really learn about pratical life? Not enough, that's for sure. My 4 years old kid recognizes all the letters and a lot of brands since she was 2. Few months ago she had the "click" about how to combine letters to turn...

Arte fato IV - ou, a arte perdida

Série Arte Fato: - Arte fato I - ou, o que é a arte - Arte fato II - ou, quem é o artista - Arte fato III - ou, o que são as drogas Assim de supetão lembro-me de dois momentos históricos nos quais o movimento artístico dedicou-se ao mundo das drogadicções. São eles a segunda fase do romantismo e os anos rebeldes da década de 60. Não quero entrar em detalhes sobre estes movimentos e seus representantes, basta dizer que para nosso objetivo avaliaremos disposições culturais que levaram os artistas a adentrarem o mundo do entorpecimento de forma sem volta. Diferente dos demais movimentos onde especialmente o álcool e o tabaco eram amplamente usados, mas ainda havia moderação, estes dois movimentos deixaram para trás muitos de seus representantes prematuramente mortos. Se eu afirmo que a arte garante uma distanciação do abuso de drogas, o que teria acontecido nestes momentos para gerar exatamente o movimento oposto, de fusão com a droga? Quando estudo os três mome...

O desenvolvimento do pensamento humano II - a tragetória do pensamento científico

[continuação do texto: " O desenvolvimento do pensamento humano I  - da magia à ciência"] A sociedade humana que se organizou depois da Revolução Industrial acrescentou incontáveis novos elementos à nossa realidade. O cérebro humano a partir do final do séc. XX não teve mais sossego e o conhecimento se transformou na principal ferramenta do homem para manipular o mundo à sua volta. Primeiro foram os correios, livretos e folhetins, depois o rádio, o telefone, a TV, a internet... A comunicação entre os seres humanos ampliou de tal maneira que tornou-se impossível impedir o conhecimento e a troca de informações.É imprescindível compreender o poder transformador das trocas culturais. O comércio entre os povos é o principal motor para o avanço cultural e tecnológico das sociedades humanas. Explico-me. Toda comunidade isolada cria para si fórmulas para compreender o mundo e os outros. Ritos de passagem, papéis sociais e divisão do trabalho, mitos, medicinas, as variações...

Desamparo, desespero, angústia e outras delícias existenciais

Crises existenciais. Lugar comum para o crescimento ou embotamento das revoluções íntimas. Quando eu era adolescente sentia um verdadeiro prazer em saborear estes momentos introspectivos nos quais todas as minhas verdades íntimas eram questionadas. Assustador, sem dúvida. Mas me parecia irresistível. Com o tempo as tempestades juvenis foram dando lugar à moderada calmaria e mesmice da vida adulta e de tempos em tempos ainda me encontro alimentando uma certa nostalgia pelas velhas crises. Aqueles acontecimentos fugazes da adolescência que tinham gosto de eternidade foram sendo substituídos, com o passar dos anos, pela eterna rotina e as mesquinhas preocupações do cotidiano. As emoções novíssimas e excitantes que a juventude descobre ganham nomes, categorias, pontuações, sinais de alerta... O novo torna-se o mesmo com um piscar de olhos. Felizmente a natureza nos dotou de uma constante insatisfação. Felizmente para uns, nem tanto para outros, sem dúvida. Me parece que um grand...

O bicho-homem, o homem-deus e nossos demônios

Sabe aqueles dias em que, coincidentemente, você acorda um pouco mais intolerante e tropeça com a estupidez humana da manhã até à noite? Espaços dedicados a se extravasar em dias de fúria deveriam ser questão de saúde pública. A sociedade moderna retirou do Homem tudo o que era instintivo e não deu nada em troca. Pelo menos nada à altura! Inevitável lembrar do mito da caverna. Vamos de um cubículo ao outro, dentro de um cubículo menor ainda, mas com rodas para não usarmos muito as pernas, sempre com nossos óculos escuros e protetores solares, aterrorizados com os efeitos nocivos do nosso primeiro deus, o Sol. Quando queremos nos exercitar, pegamos nossos cubículos com rodas para irmos a cubículos cheios de ferros e espelhos para praticarmos movimentos mimetizados e repetitivos com toda  a seriedade de quem está a salvar a própria vida. Temos até cubículos luminosos cuidadosamente colocados sobre pedestais em nossas salas para quando a tentação é grande e queremos ver um po...