Você já se perguntou por que o conteúdo escolar é dividido em matérias e estas em capítulos? Por que, em determinado ano, você estuda história do Brasil e geopolítica da Ásia e no outro você estuda bacias hidrográficas brasileiras, história da guerra civil americana (O.o) e literatura européia? Você já se perguntou por que a aula de informática que a escola oferece trata-se basicamente do curso básico de alfabetização computacional (digitação, windows, word, excel e internet explorer)? Por que a aula de educação física consiste em praticar alguns esportes coletivos sem nunca ensinar como educar o corpo para uma vida mais saudável?
Tenho muitas perguntas como esta a fazer para o sistema educacional. Poderia gastar quilômetros com interrogações... Então espero que com estas poucas vocês possam ultrapassar e continuar com as indagações por conta própria. Vamos em frente.
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Pensadas estas perguntas sobre a educação, vamos perguntar sobre os EDUCADORES. Você já se perguntou por que o professor, apesar de conviver há anos com o desinteresse crescente de seus alunos, nunca experimentou efetivamente novos procedimentos para evitar essa dispersão? Por que o professor nunca perguntou aos seus alunos o que estava acontecendo? Por que até hoje os professores não buscaram conversar com outras áreas do conhecimento (já que tudo fica compartimentado em caixinhas de saber!) para pelo menos começar a pesquisar o que está acontecendo com os alunos e como reverter o quadro? Por que não vemos novos "tratados educacionais" produzidos neste século e para as crianças deste século? Por que os professores "acreditam" ser efetivo um sistema educacional anterior à informatização se até o relógio de ponto, que atinge até o funcionário com menor salário e escolaridade, já é informatizado?
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Vamos seguindo a mesma lógica. As perguntas não devem parar. Mas vamos pular um pouquinho para o próximo envolvido na investigação do caso da educação brasileira: o ALUNO. Você já se perguntou por que os alunos cada vez menos se interessam pelo conteúdo das matérias e preferem ficar lendo bobagem na internet do que ler um belo livro? Por que o aluno prefere desenhar, conversar, ouvir música, twittar na sala de aula mais que em qualquer outro lugar? Por que os alunos sabem tanto sobre tanta coisa inútil e considera "idiota" quem entre eles sabe muito sobre coisas importantes? Por que os alunos são capazes de decorar o nome e o "poder" de todos os pokemons (e são mais de 500!!) e não conseguem decorar (só para a prova que seja) o nome dos países da América Latina? Por que o aluno não respeita mais o professor?
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Há muitos porquês sem resposta na educação. E o SISTEMA, o que ganha com esse conservadorismo? Por que o sistema acredita que governar pessoas incapazes de pensar criticamente é uma boa solução? Por que o sistema acredita na dominação pela ignorância? Por que o sistema se recusa a investir em uma educação de qualidade? Por que o sistema é tão avesso às mudanças, mesmo quando todos os números apontam para o lado oposto? Por que os políticos sabidamente corruptos continuam sendo eleitos mandato após mandato? Por que acreditamos que o sistema vai mudar se nós mesmos não mudamos?
E os pais, os responsáveis por cada um daqueles alunos? Por que os pais não cobram das instituições atuações mais efetivas? Por que os pais preferem defender seus filhos como injustiçados e culpar os professores a tentar encontrar soluções juntos para o problema? Por que os pais concordaram com a proibição da venda de livros usados se os novos não atualizam decentemente seu conteúdo a ponto de precisar serem renovados anualmente? Por que os pais delegam ao sistema a educação de seus filhos? Por que os pais e a escola não trabalham juntos para melhorar aquilo que eles sabem que está ruim, em vez de esperar socorro vindo de quem se beneficia com este estado de coisas?
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E os pais, os responsáveis por cada um daqueles alunos? Por que os pais não cobram das instituições atuações mais efetivas? Por que os pais preferem defender seus filhos como injustiçados e culpar os professores a tentar encontrar soluções juntos para o problema? Por que os pais concordaram com a proibição da venda de livros usados se os novos não atualizam decentemente seu conteúdo a ponto de precisar serem renovados anualmente? Por que os pais delegam ao sistema a educação de seus filhos? Por que os pais e a escola não trabalham juntos para melhorar aquilo que eles sabem que está ruim, em vez de esperar socorro vindo de quem se beneficia com este estado de coisas?
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Aparentemente o sistema de ensino, tal como está hoje, está fadado a falir. As tentativas de cursos online nos moldes do antigo sistema também são um fracasso. É necessário facilitar cada vez mais o acesso ao ensino e reduzir cada vez mais o alcance e a "cobrança" do conteúdo para distribuir diplomas como se fossem títulos de nobreza medievais sem que ninguém se dê conta das consequências deste novo hábito. Enquanto inúmeras reportagens apontam profissionais de curso superior mal qualificados cometendo erros crassos, outras tantas já demonstram falta de qualificação técnica em vários setores de base. Ainda outras reportagens nos falam do aumento da criminalidade, da reincidência no crime, da perversidade do criminoso, do analfabetismo funcional, da exploração da igreja sobre os menos esclarecidos, dos meninos de rua, da violência doméstica e contra minorias. Enfim, não tem fim. O fim é que já tem muito tempo que este sistema está quebrado, mas estamos empurrando com a barriga. Ninguém quer assentar e por a caixola para funcionar. Deixemos à próxima geração, dizemos. E isso tem sido assim há anos, gradativamente piorando.
Mas eis que de repente explode o Renascimento Científico no coração da sociedade de exploração de massa. Já tem uns 50 anos que a tecnologia anda a passos largos estendendo o conhecimento do homem aos recônditos mais misteriosos da atuação humana. Transplantes, computadores, cirurgias microscópicas, satélites de comunicação, google earth, robô cirurgião, comunicação global em tempo real, avião para o mundo todo, trem bala. Outra lista difícil de acabar. A cada dia novas descobertas são feitas sobre todo tipo de coisa imaginável e outras tantas que até parecem coisa de filme de ficção. E apesar disso, temos ainda a sensação de que hoje sabe-se menos que ontem. Vamos ao médico com uma queixa e passa-se 10 anos até que ela seja corretamente ligada a um diagnóstico preciso e o tratamento tenha resultados positivos. Que bruma é esta que envolve o conhecimento e impede que as pessoas comuns tenha acesso a ele? E por que, quando elas chegam a ter acesso ao conhecimento, ele é transmitido de forma tão equivocada, podendo ser interpretado de tantas formas, que perde o sentido em dias e ninguém se importa mais com isso?
Se você me responder que isto faz parte dos processos de manutenção da pobreza eu vou dizer que sim, claro que faz. É exatamente este o ponto chave da falência da educação, a manutenção da pobreza. No sistema em que vivemos os ricos precisam ser sempre mais ricos. Se isso deixa os pobres cada vez mais pobres, não se pode fazer nada. Principalmente porque os pobres, emburrecidos e famintos, quando questionam são facilmente apaziguados com um aumentozinho medíocre de salário. (Exatamente o que os professores queriam, não?) Não tiro a razão da luta por salários melhores, mas ela é um circulo vicioso. O salário substituiu o pão e o circo do miserável, que agora é responsável por consegui-los com as próprias mãos (com o salário). Tudo que o rico precisa fazer hoje é controlar o fluxo do salário. Ele aumenta o salário para apaziguar o pobre e depois desvaloriza a moeda fazendo o valor voltar a ser o que sempre foi e lucra duas vezes. É como se, ao pedir dinheiro ao patrão, ele fizesse um desenho num papelzinho escrito DINHEIRO = X reais e batesse um carimbo atrás, entregasse ao empregado e ambos dessem o assunto por encerrado. O empregado exibe a nota para os amigos todos batem palma e admiram o carimbo do patrão, ele fica feliz da vida por ter sua revindicação atendida, mas no mês seguinte já não compra nada além do que já comprava antes. E todos os empregados, até os de outras classes que não tiveram seus salários aumentados perdem com isso. Como isso é possível? Só tem uma resposta e ela é igualzinha à resposta para uma outra pergunta: como é possível um pastor pedir um trizimo e continuar com a igreja lotada para pedir de novo na semana seguinte?
Ainda existem muitas perguntas a serem feitas, inclusive estas: para que fazer tanta pergunta? Onde estão as respostas? Já li isto tudo e até agora nada. Então eu vou te responder: que bom que você leu isso tudo! Pelo menos uma dessas perguntas você ainda não tinha feito a si mesmo? Você tem alguma resposta para qualquer uma destas perguntas? Eu tenho algumas, poucas, mas já é um começo. Acredito que é possível reestruturar o sistema e torná-lo eficiente, agradável e livre ao mesmo tempo. Tenho algumas sugestões e conheço algumas pessoas que também têm sugestões interessantes. As áreas de atuação do ser humanos são muito vastas e todas carecem desintoxicar-se do antigo sistema exploratório. Se você também tem algumas sugestões você tem muito a me acrescentar e eu quero saber o que você sugere. Treinar o cérebro para perguntar é o primeiro passo para encontrar soluções. Da minha parte, me comprometo a postar aqui minhas sugestões, minhas argumentações e as variáveis que consegui alcançar. Espero poder contar com outras contra-argumentações. Boas idéias que se tem sozinho a história já provou que morrem com seus autores. Hoje temos tecnologia e conhecimento suficiente para iniciar uma revolução no modo de vida humana capaz de beneficiar todo o planeta, mas a forma como o sistema se organiza atravanca o bem comum em prol do lucro de poucos. Melhor que isto, hoje temos "a" ferramenta para construir uma idéia coletiva em tempo real englobando todos os seres humanos. Por que não o fazemos? Bora mudar o mundo?